O que resta da Vivi em mim?
Perdi um amigo de infância para o suicídio quando era mais nova. Além da tristeza profunda de chorar a morte de alguém querido, lembro de ter refletido sobre o que aquela perda significava para mim. Acredito que parte de nós morre com a pessoa que se vai; um pedaço nosso deixa de existir, porque cada relação é única.
Perdi poucas pessoas próximas ao longo da vida, e cada uma dessas perdas significou também a perda de uma versão minha. O luto também é isso: a sensação de se perder um pouco no processo, sem ter mais acesso a quem nós éramos com aquela pessoa.
Ultimamente, tenho pensado muito na Vivi que era filha da minha mãe e no buraco imenso, no vazio indescritível que ficou agora que não tenho mais acesso direto a essa parte de mim.
Imagino uma Vivi pizza e penso em quantas fatias se perderam agora que a maior parte do que eu era deixou de existir. Ao que parece, grande parte da minha identidade era ser filha, e eu mal tinha me dado conta disso… Não sou namorada, não sou esposa, não sou tia nem prima nem mãe. Verdade seja dita, também sou uma péssima irmã.
O que sobrou de mim?
O que resta da Vivi em mim agora?






