I was there, Gandalf
Meu amigo de outras eras me mandou essa foto ontem de manhã. Foi a primeira coisa que vi, assim que acordei. E chorei. Nostalgia é tramada. Tem outra foto em que estamos sentados lado a lado, encostados na grade do cinema, esperando a bilheteria abrir, mas essa vou deixar guardada, até porque não pedi permissão nem o consentimento do meu amigo para postar sua foto.
Isso foi em 2003, na estreia de Senhor dos Anéis O Retorno do Rei. Cinema Leblon, Rio de Janeiro. Eram 10:30 da manhã e já lá estávamos para a estreia do filme que ia começar às 13h. Nós levamos mochila e sacolas com snacks, água, canga para forrar o chão e meu violão preto, para entretenimento na longa espera da fila.
Eu não sei quanto a vocês, mas ver Sociedade do Anel no cinema foi um marco, uma experiência de vida, e era apenas o início de uma era, talvez vocês consigam imaginar como eu estava nesse momento para ver o terceiro e último da trilogia, que encerraria 3 anos de muita história de bastidores de uma fã nerd.
A primeira sessão, de 13h, foi pra ver em silêncio, chorar e refletir sobre a obra de Peter Jackson. Fomos poucas pessoas, eu, esse meu amigo e mais uns pingados. Foi mais à noite, na última sessão, porque obviamente vimos duas vezes o filme no mesmo dia, é que a galera toda se juntou pra celebrar esse momento épico. Cheguei na fila cedo de novo, por volta das 17h, pro filme que ia começar às 20:30. Dessa vez, teve festa na fila, jogo de cartas, um amigo do meu irmão pegou meu violão e tocou Blind Guardian; cantamos Lord of the Rings como se estivéssemos todos num castelo em família. Eu devia conhecer todas as primeiras 30 ou 40 pessoas da fila. Boa parte do fandom estava ali em peso. Boa parte foi fantasiada. Cinema Leblon era uma segunda casa; foi a época que mas fui ao cinema nessa vida.
Em dezembro de 2003 eu tinha 17 anos. Minha maior muleta era não ter ainda 18. É como se eu ainda tivesse todo o tempo do mundo pra decidir ser quem eu quisesse, fazer tudo o que fosse possível.
Levaria uns anos ainda pra eu decidir entrar na faculdade de jornalismo e encontrar um caminho que eu considerasse meu. Embora ainda estivesse um tanto perdida, sem saber ao certo o que o futuro me aguardava, neste belo dia de dezembro, ao entrar na sala de cinema e ouvir o tema de abertura de Howard Shore, e ver através de olhos borrados o letreiro do filme Return of the King, eu estava feliz… mas tão feliz. E eu não me arrependia de nada.
Ainda não me arrependo.


