Diário de uma escritora

É blog que fala?

Já faz um tempo que estou com um desejo de voltar a blogar. Quase já não consigo mais acompanhar blog nenhum, e duvido que alguém vá conseguir acompanhar o meu, os tempos são outros, e também não vou avisar ninguém dos textos daqui; piada interna para eu descobrir quem passou por aqui e viu que voltei a usar o site. 😉

Ao contrário do meu melhor amigo, não tenho mais registro nenhum dos meus antigos blogs e textos. Apaguei tudo. Acho que a última vez foi em 2017. Ao contrário dele, eu só falava besteira e não escrevia nada que prestasse. Não vai ser muito diferente agora, minha intenção com o blog continua sendo ‘escrever enquanto existo’, e não para performar. Se eu tivesse que pensar para escrever aqui, provavelmente não decidiria voltar.

Besides, eu já tenho um espaço para filosofar e podcastar para fingir que sou esperta. 😉 Aqui eu quero apenas pensar em voz alta. Ter um cantinho, o meu cantinho, livre de expectativas. E nada de rede social, escrava de algoritmos. Esse é um espaço meu <3, e eu poderia até fazer umas doideiras, se eu tivesse aprendido a CSSar direito. Sem pânico, a gente usa os plugins do WordPress e tá tudo certo.

Mas por que blogar agora, ainda mais numa fase tão difícil de muito trabalho e pouco espaço para lazer e para descansar a mente? Exatamente por isso, meu caro Watson. Estou estafada, exausta, esgotada, cansada de tudo e mais um pouco, trabalhando solo e fazendo o que antes faziam 5 pessoas; e nenhum momento melhor que esse para recalibrar através do desabafo blogal enquanto pratico desapego intelectual.

Entre braçadas na natação hoje, experimentei algo que provavelmente todo nadador já experimentou: você ergue a cabeça e abre a boca pra respirar e justamente naquela hora tem alguém na raia ao lado nadando à toda velocidade e levantando água e parte dessa água vai pra sua boca e nem sempre dá tempo de cuspir. É nojento, eu sei, mas acontece. Engoli um cadinho de água mijada hoje.

Dei uma tossida de leve e continuei a nadar, fingindo que nada tinha acontecido, mas então refleti sobre o momento que to vivendo e fiz uma analogia com essa cena. Tem meses que eu me sinto exatamente assim, como se tivesse tentando emergir para respirar e alguém, nesses exatos momentos, joga um balde d’água que me faz engasgar e buscar, desesperadamente, por um ar que não vem.

É um tanto desesperador ficar sem ar. Coincidentemente, ontem mesmo, antes de dormir, eu revi Total Recall. Quando assistia a esse filme quando criança sempre me impressionava o efeito que deram para os rostos dos atores quando ficam sem ar em Marte; os olhos esbugalhados, o rosto distorcido e o som gutural que saía da garganta deles.

Eu me pergunto se meu rosto tem transparecido pro mundo essa minha falta de ar.

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