Diário da Vivi

Crítica Procura-se um Amigo para o Fim do Mundo

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Diário Ideal

Um asteroide chamado Matilda vai colidir com a Terra em alguns dias e a última tentativa de modificar essa rota de colisão falha. Esse é o fim da humanidade. Todos aqueles planos para o futuro são tão inúteis agora quanto os feriados em dia de domingo. A realidade do fim dos dias é tão cruel que é mais fácil continuar as vidas como se nada fosse diferente; como se a ficha ainda não tivesse caído. Afinal, fazer tudo o que você sempre quis antes de morrer pode ser impossível. As companhias aéreas não estão mais disponibilizando voos, os telefones estão se desligando, tudo perde o sinal, aos poucos, e aquela sua ideia maravilhosa de visitar o Egito e a Grécia no fim dos dias fica, a cada segundo, mais distante. Nem gasolina nos postos se acha mais. Só Diesel. O que você faria se soubesse que só restam duas semanas de vida? É a pergunta em que todos são submetidos, durante o filme. Mas, na verdade, o único grande questionamento da história é bem mais simples que isso. Com quem você quer passar os últimos dias de sua vida? Se você souber responder, talvez acredite que as pessoas não morrem sozinhas, afinal.

Assim que a notícia é oficial, de que todos vão morrer, a mulher de Dodge (Steve Carell) sai de casa e o abandona. Como resultado de uma série de eventos inesperados, Dodge conhece a vizinha Penny (Keira Knightley), que acabou de terminar com o namorido, e, juntos, pegam a estrada em busca da antiga namorada de Dodge, da época de escola. Pelo menos, é com ela que Dodge pensa querer passar as últimas horas.

Procura-se um Amigo para o Fim do Mundo (Seeking a Friend for the End of the World, 2012) é trágico e parece bem dramático – e é, risos -, mas o tom é de comédia e diverte do início ao fim. Não tem como não se identificar com a riqueza de cada um dos personagens. Todos eles têm seus questionamentos sobre a morte, sobre o fim do mundo e o fato de saberem que vão morrer em tal hora de tal dia. Alguns vão querer continuar vivendo como se nada fosse acontecer, indo ao trabalho e voltando para casa, mantendo a rotina; outros vão surtar, quebrar a casa, as ruas e as pessoas. Muitos vão se matar; alguns do jeito tradicional, outros nem tanto. Vocês vão entender o que estou falando quando assistirem ao filme. E alguns vão  simplesmente se perder ainda mais na solidão, como é o caso de Dodge. Questionando até o fim o sentido da vida e os detalhes inúteis que as pessoas parecem dar tanto valor. Qual apartamento escolher? A cortina tem que ser azul ou vermelha? Esse ou aquele emprego? Escolhas que na atual perspectiva não parecem ter mais nenhum valor.

E a verdade cruel é que nenhuma delas importa mesmo. Mas a gente só enxerga isso diante da morte.

ATENÇÃO: Você vai chorar. 😉

O filme é lindo, mexe com a gente de todas as formas e emociona com tanta sutileza.

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