IT: Capítulo Dois

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Pennywise está de volta!

IT: Capítulo Dois, e conclusão do filme de terror de maior bilheteria de todos os tempos, chega ao cinemas dia 5 de setembro. Vinte e sete anos depois do Clube dos Otários derrotar Pennywise, o palhaço assustador volta a aterrorizar a cidade de Derry. Agora adultos, e tendo seguido caminhos diferentes e separados, os Otários terão que mais uma vez dominar seus medos mais profundos para destruir Pennywise de uma vez por todas… A continuação do filme de Muschietti para o sucesso de bilheteria “IT – A Coisa (2017)”, que redefiniu o gênero de terror e arrecadou mais de U$700 milhões em todo o mundo, não decepciona em nada.

Com James McAvoy (Bill) no elenco, Jessica Chastain (Bev), Bill Hader (Richie), Isaiah Mustafa (Mike), Jay Ryan (Ben), James Ransone (Eddie) e Andy Bean (Stanley), além de Bill Skarsgard, de volta no seu papel de Pennywise, e as crianças, a Parte II é ainda mais intensa que a primeira.

Baseado no romance de Stephen King, o roteiro de Gary Dauberman traz de volta os velhos medos e as inseguranças das crianças, além de apresentar conceitos novos de criaturas e pesadelos e muitas, mas muitas cenas para impressionar.

Por ser cética, normalmente, o que me tira o sono nos filmes de terror é a violência real e não as figuras sobrenaturais. Então, como vocês podem imaginar, as cenas que mais me marcaram na parte I tinham relação com bullying, abuso sexual, moral e violência física, como o corte na barriga do gordinho, o abuso sexual de um pai com sua filha, o abuso moral e a tortura psicológica, entre muitos outros tipos de violência. Porém, é claro, não tem como não ficar impressionada com o concept dos efeitos e da maquiagem das criaturas mostradas e do próprio Pennywise, que é assustador mesmo em sua forma mais comum como palhaço.

E essa segunda parte não fica pra trás nem na violência real nem no design dos medos (será que podemos colocar assim?). As transformações e deformações dos personagens bizarros seguem em harmonia com as construções das cenas e da tensão do espectador do início ao fim, assim como a violência do dia a dia.

A perspectiva psicológica de que de certa forma buscamos nossos pais nos nossos relacionamentos, no caso da Bev, com o marido que é a cópia de seu pai, e de Eddie, cuja esposa é idêntica à mãe, é muito comum nos livros do King e reforça um conceito, pra mim extremamente violento e medonho, de que livre arbítrio e escolhas são ilusões e de que não passamos de robôs animais repetindo os mesmos erros por motivos além da nossa compreensão, obedecendo à leis da biologia que falam muito mais alto do que qualquer possibilidade de liberdade que poderíamos ter.

Claro que o filme mexe com muitas outras questões e fobias; creio que cada situação vai mexer com o espectador de um jeito, dependendo das inseguranças, dos medos e da vida de quem for assistir ao filme – ou até mesmo ler os livros de Stephen King no geral. Ele é mestre em nos fazer enxergar o comportamento do ser humano como algo assustador e cruel, qualquer que seja e por mais inocente que ele possa parecer.

A história se encerra no Capítulo Dois e, assim como nossos queridos personagens, todos nós voltamos àqueles mesmos medos do passado e precisamos resgatar memórias, e quem sabe sacrificar certas imagens que temos de nós mesmos, a fim de resolver questões e derrotar os piores dos pesadelos. Mas para quem não está interessado nessa parte psicológica do filme e da construção dos personagens, pelas quais sou vidrada, IT continua bizarro como sempre, com cenas lindíssimas e aterrorizantes; e vai agradar tanto o público do terror psicológico e visual quanto o que busca um bom drama cheio de metáforas das nossas falhas como Sapiens que somos.

Com uma participação especial de uma pessoa muito querida e admirada (sem spoilers!), IT: Capítulo Dois é um presente mais que merecido aos fãs de Stephen King – e acompanhado do primeiro filme esse conjunto já é uma das minhas obras de terror favorita do cinema de todos os tempos.