Crítica John Carter – Entre Dois Mundos

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Caprichado

John Carter – Entre Dois Mundos (John Carter – 2012) é baseado no romance clássico de Edgar Rice Burroughs e, por esse motivo, está a frente de seu tempo. Por outro lado, em se tratando de cinema, é quase inoportuno. Não se vê muita coisa ‘original’. Tem uns pedaços de Duna, muitos outros de Star Wars, uma pitada de roma aqui, outra de Avatar… é uma mistura, receita de bolo, que não tem como dar errado, apesar dos clichês e da vizinhança já então BEM familiar; porém… acaba divertindo e muito! Mas a sensação que tive foi que já tinha visto o filme antes, só que dessa vez em Marte, o que fez TODA a diferença; da mesma forma que Avatar também já ‘existia’ e Pandora que foi a grande surpresa. Ou seja, o visual do filme é o seu ponto máximo! Ainda bem, né? Porque depois de investir 250 milhões – fora os custos de marketing – é de se esperar alguma coisa.

A aventura começa quando John Carter (Taylor Kitsch) misteriosamente (não vou contar como acontece, é claro) vai para Barsoom (Marte) – me amarrei nesse nome! – e se vê em um conflito de proporções épicas entre os habitantes do planeta, incluindo a princesa Dejah Thoris (Lynn Collins), Tars Tarkas (Willem Dafoe) e Matai Shang (Mark Strong) – que na minha opinião ficou bem melhor de olhos azuis, rs! Entre voltar para casa – veterano de guerra e perseguido – e salvar a cidade ameaçada de sua princesa gostosona – com exceção daquele umbigo feioso -, nosso herói vai tentar a sorte em Barsoom. Quer dizer, mais ou menos sorte.

Vamos combinar que a partir do momento que um terráqueo pisa em marte e acrescenta pontos de força à sua ficha de personagem + habilidade + velocidade, além de burlar a gravidade podendo dar pulinhos astronômicos a la Hulk, não deveria precisar de sorte para derrotar seja lá qual for o inimigo.  Juro pra vocês que eu não consegui parar de imaginar o que seria Chuck Norris em marte? o.O ‘Cabô! Tem pra ninguém!’

Aí que entra a história dos personagens dotados de luz neon azul que são super bacanas e têm armas letais bem bizarrinhas. Aqui o filme deixa um pouco a desejar, pois são tantas as deixas que chegou a incomodar. Talvez seja por isso que a série tem 11 livros. 😉 Queria saber mais sobre esses caras misteriosos que parecem saber de tudo e de todos, agindo como deuses. Não posso entrar muito em detalhes senão perde a graça.

A direção de Andrew Stanton (Wall-E e Procurando Nemo) é linda e ouso dizer que a linha tênue entre gostar e não gostar do filme foi ele que derrubou; não só com a direção, mas com o roteiro. As tiradas inteligentes nas cenas de ação e o humor oportuno são destaques clássicos que você vê em seus outros trabalhos de animação como Vida de Inseto, Toy Story e Monstros SA (como escritor). Uma cena de alívio cômico em particular me fez sair da cadeira de tanto rir. É boba, mas tem TANTA piada interna com isso – amigos nerds do meu <3 – que foi mais forte que eu.

Tem também, é claro, muitos elementos Disney como lições de moral, distinção básica entre as pessoas de bom caráter e os bobocões que só querem reinar e conquistar as coisas na porrada, personagens fofos e leais – não importando sua aparência -; aquele espírito materno que a gente tanto ama na Disney, vocês sabem. 😉

A única coisa que eu não consigo ignorar é a droga do sotaque que nego (mulheres…) resolve fazer só porque tá em Marte ou na Pérsia ou num espaço-temporal dominado por macacos! Tá, vai… é charmoso. Mas que é palhaçada é! Enfim…

Por último – mas não menos importante -, a trilha sonora de Michael Giacchino… Ok, sou suspeita para falar, afinal sou fã do cara (principalmente por seu trabalho em Star Trek), mas é espetacular. Devo admitir que não dei pulinhos de felicidade, pois esperava algo mais épico, mais memorável… e foi apenas Exceed Expectations, mas valeu a proposta; e eu, como colecionadora de trilhas, quero AGORA. 😛

É divertido, tem seus momentos e é um filme que eu veria – numa boa – várias vezes! Recomendo!

Ps. Veja uma prévia de 10 minutos do filme! 

Au revoir!