Crítica Drive

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Caprichado

Eu saí do cinema visualizando a expressão de todos aqueles amigos alternativos da época que eu trabalhava em locadora – sim, eu trabalhei em locadora! – que enchem a boca para dizer que amam filmes como “Corra Lola Corra”, “Trainspotting”, “Juno” e “Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças”. Eu gostei de todos esses. E gostei muito de Drive.

Só um filme com a atmosfera de Drive (2011) consegue dar certo mesmo sem o protagonista ter nome. O cara (Ryan Gosling) é chamado de ‘Kid’ ou ‘Driver’ e simplesmente o nome dele não importa. Além de ser um piloto profissional, dublê de cenas de perseguição de carros e trabalhar numa oficina, ele usa a habilidade para vender serviços de motorista de assalto. Em uma realidade de Los Angeles dominada pelos milionários corruptos, o garoto é apenas mais uma peça no tabuleiro. E tão psicopata quanto, devo acrescentar. Ao se apaixonar pela vizinha Irene (Carrey Mulligan) e seu filho pequeno, acaba cometendo as ações de um herói. Para ajudar a pagar uma dívida do ex-marido da vizinha – que acabou de voltar da prisão -, ele põe muito mais do que a vida dele em risco!

A grande jogada da atuação de Ryan é a máscara que ele veste seja no dia a dia ou quando se ‘descontrola’. A passagem entre os dois é que surpreende. Em um momento ele está sereno, seus olhos demonstram passividade e carinho. No outro ele detona e esmaga o cérebro de um sujeito. Bizarro.

Nicolas Winding Refn assina a direção e acerta na mosca ao tratar o filme com um tom de anos 80, seja na abertura, na lerdeza dos diálogos, na inocência da personagem feminina, no espírito e, principalmente, na trilha sonora. Adoro! Não vou negar que deixa o filme lento; a repetição de cenas do rapaz dirigindo em LA à noite só para mostrar que é o que ele faz, cansa um pouco. Mas é uma quebra aos filmes de ação de hoje em dia que até os diálogos não te deixam mais respirar.

É um soquinho no estômago se você deixa um pouco de lado a história do ‘driver’ e presta atenção na realidade em que eles estão vivendo em LA; de corrupção, sujeira e dinheiro de sangue. E a única coisa que sobrevive a toda essa imundice é o amor que ele sente pela vizinha, que o tira dessa realidade e o faz se sentir livre.

Veja o trailer abaixo:

http://youtu.be/Pe6eOqheva8