A vida numa garrafa de vidro

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Era uma vez um computador cheio de fotos e vídeos… As fotos eram felizes, os vídeos nem tanto, e todos viviam em perfeita harmonia no que se podia chamar de glorioso mundo. E era de fato um mundo glorioso. Todo ano o computador reunia todos e fazia uma grande festa; em massa os arquivos compareciam, confabulavam e comemoravam a prosperidade eterna. E logo que passava o Natal, o computador fazia uma faxina e organizava todo mundo em pastinhas felizes, em ordem alfabética. Ninguém ficava de fora, ninguém se sentia excluído, nem mesmo os que se mudavam temporariamente para a lixeira e em seguida para o paraíso dos arquivos. A vida era bela.

Então, num belo dia, a garrafa de vidro da vida se quebrou. E toda a realidade que vivia do lado de fora se chocou contra os caminhos dos sonhos e das ideias que tentavam de toda forma se proteger do impacto. Todo o esforço foi em vão. O vidro, que um dia fora o pilar da memória, das lembranças e do passado, agora encontrava seu triste fim, espalhando-se em milhões de pedaços no véu da existência, e com ele os arquivos, para sempre privados do paraíso, condenados a viver no limbo por toda a eternidade… pelo tempo que a eternidade durasse.

Sacou o drama? Não? Eu explico melhor. Formataram meu computador sem a minha permissão! Aí eu perdi contos, fotos, vídeos e um passado que agora jaz morto no templo do esquecimento. Mas, cara, isso aconteceu faz tempo. Já havia até “superado”, até onde é possível superar algo assim.

O problema todo foi descobrir há algumas semanas que os arquivos dos últimos dois anos, que eu sabiamente havia guardado num HD externo antes de formatar o computador: muitas fotos, muitos vídeos e, sim, muitos textos, foram todos reduzidos a uma mensagem desaforada e cruel de erro que dizia: MWAHAHAHA a vida frágil e preciosa desses arquivos foi corrompida, infiel! TOMA ESSA! MWAHAHAHAH!

Não sobrou absolutamente nada…

As garrafas de vidro da minha vida se quebraram e, apesar de vir acompanhada – acredite se quiser – de um sentimento libertador, a realidade engoliu todas as minhas esperanças de algum dia voltar a visitar o meu passado por meios digitais. Oh, well… O vidro pode ter se quebrado, o recipiente não existir mais, no entanto, a vida, embora espalhada em zilhões de pedaços, continua firme… basta eu recorrer à boa e velha máquina do tempo da memória para acessar experiências, que, vamos combinar, oferece uma experiência bem mais completa que arquivos digitais presos em garrafas de vidro… é o que preciso repetir a mim mesma para dormir melhor. Me deixa.

#Fui
VM

***

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