Diário da Vivi

A Lenda

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Quem foi criança nos anos 1980 conheceu a inocência, as frases prontas, as risadas maléficas clássicas, os melhores vilões de todos os tempos e, principalmente, as batalhas eternas entre o bem e o mal. A luz e a escuridão. As coisas eram mais “preto e branco”. Hoje é tudo cinza. Eu não posso nem dizer que sou exatamente uma dessas crianças, pois minha memória começa mesmo nos anos 90… Mas de uma coisa tenho certeza; aquele tipo de inocência morreu com o século XX.

Sortudos os que tiveram a chance de ver A Lenda (Legend, EUA, 1985), com um Tom Cruise de 23 anos, nos cinemas ou no VHS dublado (como eu, alguns anos depois). A magia de ver esse filme na infância é indiscutível — e por infância quero dizer até os 14 anos. Qualquer outra época, o significado é outro.

Para quem não viu — o que é um erro letal —, a trama conta a história de um demônio que quer a eterna escuridão e para isso precisa destruir os últimos unicórnios do mundo, que representam a pura magia, e casar-se com a princesa. O único capaz de derrotá-lo e salvar a mocinha, Lili (Mia Sara), é um garoto da floresta, Jack (Tom Cruise), que com ajuda dos elfos enfrenta perigos e a própria escuridão para salvar sua amada.

Digo isso: Escutar a risada maléfica de Tim Curry como o vilão Darkness não tem preço. É sensacional até vendo hoje em dia, rs. Não dá pra dizer que é tosco… É simplesmente primoroso! É ainda mais digno de prêmio que as risadas que ele distribui no Esqueceram de Mim.

Enfim… em A Lenda foi a primeira vez que vi um unicórnio. Sério… Foi lindo! Até então, só tinha visto duendes e fadas em desenho animado. Aquilo era diferente. Era um filme com pessoas e maquiagens absurdas para a época. Era uma realidade completamente diferente, não era um desenho da Disney em que os personagens eram “falsos”, meros desenhos animados. Quando são pessoas, a coisa muda, sabe? E eu era uma criança especial, rs. Não sabia que unicórnios não eram reais. Para ser sincera, ainda hoje acredito neles. E ai de você tentar me convencer do contrário.

E o nível de perfeição era tão grande…. Que eu tive medo… As tomadas do filme eram tão fortes, tão emblemáticas, que eu ficava tensa quando assistia. A trilha sonora de Jerry Goldsmith ajudou nisso, é claro; mas em geral a culpa é do diretor Ridley Scott, que transformou uma fantasia em uma aventura aterrorizante. A cena dos unicórnios sendo atacados pelos goblins malvados é strogonoficamente apavorante. Dá vontade de fechar os olhos e só abri-los novamente quando alguém prometer que tudo vai ficar bem, rs.

A maquiagem então, nem se fala. Ou melhor, falemos sim, porque foi a parte do filme que mais me surpreendeu. Rob Bottin e Peter Robb-King mereceram a indicação ao Oscar em 1987 na categoria de Melhor Maquiagem. Mas tudo bem que não ganharam, porque afinal concorreram contra A Mosca, com o Jeff Goldblum, e vamos combinar que maquiagem melhor naquele ano não teve. Perdeu dignamente.

Apesar de AMAR a trilha sonora de Jerry Goldsmith no filme de Scott, fiquei abismada quando descobri que havia uma outra versão, completamente diferente, feita por uma outra galera que não tinha nada a ver com o compositor que eu tanto gosto. Vocês sabiam disso? A versão do filme feita para a Europa contou com a composição de Jerry Goldsmith. Acho que é a mais famosa. Já a versão americana conta com a trilha do grupo Tangerine Dream, menos aventuresca, menos sombria do que Goldsmith gostava de acrescentar aos filmes. A versão do diretor, que tem alguns minutos a mais — e um final alternativo — (várias cenas foram retiradas) usa a trilha do Tangerine. o.O

Eu tenho as duas trilhas e gosto das duas. É tarde para dizer qual delas eu prefiro, pois assisti ao filme quando era pequena zilhões de vezes com a trilha composta para a versão europeia. A galera do grupo Tangerine Dream realmente colocou umas flautas e um tom mais de “fantasia”, mas sempre vou encontrar a sintonia maior com a composição de Jerry. Foi assim que aprendi a ver o filme e já estou acostumada, então prefiro não ter que opinar qual das trilhas é a “melhor”.

A Lenda marcou uma época não só para o cinema, mas para a fantasia; quando tínhamos charadas e frases rimadas, poesia nos diálogos e roteiros inocentes. Faz falta. E acredito que tenha sido para muitos — como foi para mim — uma história de aprendizado, de formação de caráter e, o mais importante, de magia, que se perdeu um pouco no final dos anos 1990 e só começou a ser “recuperada” graças à J.K. Rowling e ao mestre Peter Jackson.

Fantasia pertence à vida também, não apenas aos nossos sonhos, e não podemos deixá-la morrer nunca! *dramaqueen mode on* Você que não teve uma infância nos anos 1980, não desista! Assista ao filme e volte no tempo!

Nerd de plantão, fã de séries, cinéfila até a alma, meu sonho é publicar livros. Sonho não. Objetivo. Sonho é ver meus filhos lendo meus livros já publicados! Sou muito curiosa e de vez em quando tenho uns bloqueios do tipo; passar 20 min olhando o meu gato brincar. A propósito, eu sou a Vivi, signo de áries – para o inferno o novo quadro de datas (não posso ser aquário nem que me paguem!) -, adoro picanha e comida japonesa, nunca recuso um rodízio de pizza e uma maratona de Senhor dos Anéis, vivo Harry Potter há mais de uma década e nem de perto essas palavras fazem jus à nerdice que me acolhe.

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